Gosto muito de HQs até hoje e tenho algumas personagens* preferidas no mundo Marvel e DC. Uma delas é a Mulher-Gato, personagem que é totalmente verossímil**, afinal, NÃO tem nenhum poder sobre-humano e ainda assim dá trabalho para o Batman (sem o cinto de utilidades, fica na mesma situação).


Nas HQs é preciso lembrar que as personagens femininas ganham roupagem erótica. Formas avantajadas, roupas minúsculas e um ar provocante já fazem parte dos adereços de uma infinidade delas (Cá entre nós, só com muito silicone e lipo para chegar nisso, né?).
Enfim, a partir daí, foi considerada uma das personagens mais importantes e valorizadas no mundo do Homem-Morcego, arrebatando inúmeros fãs pelo mundo (incluo-me). Seu grau de vilania é variável (talvez seja influenciada pela TPM, hihi), mas gosta de descumprir a lei e infernizar a vida do Batman, entretanto, já o ajudou certas vezes. Em todos os meios em que surgiu, sempre como ladra/vilã (HQs, cinema, séries, desenhos animados) sua origem difere, já exerceu diversas profissões (aeromoça, prostituta na versão de Frank Miller*, microempresária e outras), com algumas diferenças na aparência com o passar dos anos, mas seu modo ‘felino’ e atração por Batman não mudam. Essa personagem não é altruísta, só ‘faz a coisa certa’ se for por interesse próprio, para atender suas necessidades, é também sofisticada, vingativa e perigosa.
A Mulher-Gato com sua nova parceira (ou seria, gatinha prodígio rsrs), por Tony Daniel (2010).
*termo pode ser usado tanto no masc./fem., cf. Moderna Gramática Portuguesa, BECHARA, Ivanildo. **(exceção de sua forma física nos HQs, pois para isso só a genética e natureza não basta, palavras de uma mulher de 1.80 rsrs) *** Frank Miller reformulou a origem e layout da personagem em DK2, a continuação do famoso The Dark Knight Returns Cavaleiro das Trevas, ela surge como uma prostituta de cabelos curtos, num figurino dominatrix. É importante ressaltar que ele revolucionou a visão das HQs com sua obra. Na década de 80 a publicação foi escrita e desenhada por ele, que alcançou fama mundial, trazendo novos olhares sobre Batman e à indústria dos quadrinhos. Sua obra contribui para a introdução da era de quadrinhos adultos no mundo fantasioso dos super-heróis, chamando a atenção da mídia para o gênero, com formato do impresso diferencial na época. Batman é retratado como uma personagem deveras obsessiva e poderosa, sendo essa obra muito influente, pois a sua representação sombria e obsessiva é bem aceita nos projetos relacionados ao homem-morcego sempre com algum grau de intensidade.
Na década de 60, surgiu o Batman TV Series, Julie Newmar representou a personagem (1966-1968), sendo substituída no filme Batman The Movie (1966) pela ex-miss américa Lee Ann Meriwether e nos últimos episódios da série pela cantora Eartha Kitt (primeira atriz negra que representou a personagem).

Nessa série foi consolidado seu status de símbolo sexual, ascendendo ao pedestal de ícone da cultura pop da época, e junto a onda feminista vigente, tornou-se mais sexy, dominadora e astuta.
Curiosidade: No Brasil, esse filme foi traduzido como Batman O Homem-morcego (traduçãozinha hein?).
Dessa forma, preciso utilizar do provérbio latino que diz: “Tradutore traditore”, principalmente na tradução feita para a série de TV Birds of Prey (2002) exibida pelo SBT no ano seguinte, com o nome de Mulher Gato (WTF???).

Detalhe: Nessa série a (ex-) mulher-gato foi assassinada pelo Coringa e teve uma filha com o Batman, chamada Helena. Bem, a série foi inspirada na HQ homônima da DC Comics. E realmente, um sacrilégio essa tradução.
Em Batman Returns (1992) de Tim Burton, Michelle Pfeiffer vestiu o modelito justo (versão Sex Shop rsrs). A versão loira (bastante incomum para a personagem), mas teve uma história tão bem construída e interpretada que os fãs, relevaram.

No filme Catwoman (2004), Halle Berry interpretou a personagem nesse filme que sem dúvida foi um banho de água fria aos executivos da Warner, mas, era esperado não emplacar, afinal, mudaram a origem da personagem muito radicalmente, sumiram com o Batman, não tinha um vilão forte para ser o antagonista.

Eu particularmente, acho que a culpa desse fiasco não foi da atriz, mas sim, do roteiro fraco, afinal, é muito difícil sustentar essa personagem não apresentando nenhuma menção ao Batman. Sem contar o estilo de luta (à moda Matrix/O Tigre e o Dragão), a descoberta do terrível segredo na indústria de cosméticos, aquele lance de deus-gato e a força para se vingar de seus antigos empregadores (ação trabalhista seria mais verossímil… hahaha) pelamor, né?
Aos fãs de Comics/HQs é quase uma máxima, mas toda a adaptação de personagens que não foi fiel à sua origem fracassou. É complicado mudar propostas testadas e consagradas nas páginas das HQs, é preciso ser muito convincente e ter um roteiro muito bom para isso.
Bom, agora é só esperar para ver quem será a próxima Catwoman do cinema, afinal, ela sempre ressurge, como uma boa vilã, se tiver bom senso.
Complemento, Anne Hathaway foi a escolhida para a próxima versão da gata no cinema, a curiosidade agora será aguçada, pois como será o estilo dela agora, hein? Enfim, uma montagem que esteve rolando na net em 2011.

Fontes (conteúdo detalhado):
- http://en.wikipedia.org/wiki/Catwoman
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Mulher-Gato
- http://batman.wikia.com/wiki/Batman_Issue_1
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